Archive for February 14th, 2009
Abaixo um texto em que DeRose explica sobre o reconhecimento cultural que o latino americano precisa receber e também sobre as descobertas do Bhagavad Gíta, Kama sútra e os Tantras.
O Reconhecimento do Império Romano

Tivemos um filósofo brasileiro, falecido na década de 80, que era um verdadeiro gênio. Seu nome, Huberto Rohden. Quando jovem ele esteve na Alemanha e, na época, escreveu um livro de filosofia em alemão impecável. Enviou a obra a um editor que a aceitou incontinenti. Mandou chamar o autor para firmar contrato de edição. No entanto, quando Rohden abriu a boca o editor percebeu tratar-se de brasileiro e voltou atrás, recusando-se a editar o livro. “De brasileiros nós não compramos cultura. Compramos só café”, disse o preconceituoso editor.
Por que um ensinamento como a nossa revolução comportamental não está mais difundido no Brasil? Sabemos que em alguns países ele está crescendo e tornando-se relevante, mas noutros ainda é pouco conhecido. Como pode uma cultura tão forte, tão bonita e tão autêntica, não estar mais notabilizada? Por que seu sistematizador não é mais reconhecido no seu país? Primeiramente, porque ninguém é profeta em sua própria terra. Mas há outros fatores. Somos latino-americanos e temos muito baixa estima. Para algo ser bom tem que vir de fora. Por isso alardeamos nos anúncios: “produto importado”, como isso bastasse por si só para ser melhor. Por outro lado, o mesmo fenômeno cultural ocorre de fora para dentro, ou seja, os que se intitulam Primeiro Mundo e a nós, Terceiro Mundo, também alimentam esse tipo de discriminação. Quem viaja pela África e pela maior parte da América Latina e da Ásia fica indignado ao perceber que o Brasil não poderia em hipótese alguma estar classificado como Terceiro Mundo, ao lado daquelas nações canhestramente desestruturadas.
Isso nos faz pensar. Praticamente tudo o que no Ocidente conhecemos e incorporamos no nosso passado, está restrito à cultura greco-romana. O direito que utilizamos é o Direito Romano, a língua morta de referência é o latim e “o mundo todo” a que nos referimos quando dizemos que Napoleão conquistou o mundo, é o mundo romano. Até a cultura grega, chegou a nós através dos romanos, que colonizaram e anexaram a Grécia ao seu Império. O Cristianismo chegou a nós através do Império Romano que estava lá em Jerusalém quando tudo aconteceu e, progressivamente, absorveu suas propostas. Tudo o que era incorporado ou aceito pelo Império Romano passava a “existir” e teria direito a ser perenizado. O que ficasse restrito a outras culturas estava destinado à desconhecença por parte do restante da civilização e seria condenado ao ostracismo pela História. Quantas descobertas cruciais para a Humanidade ocorridas entre os babilônicos, sumérios, drávidas, etruscos, gauleses estão simplesmente perdidas, apenas porque não foram escritas em latim!
Atualmente, restringimo-nos aos registros em inglês. O que conhecemos do Egito ou da Índia, é porque foi escrito ou traduzido originalmente para o inglês. Só conhecemos o Kama Sútra porque o inglês Richard Burton o traduziu para a sua língua. Só conhecemos os Tantras porque o magistrado britânico Sir John Woodroffe os traduziu para o inglês. O Bhagavad Gítá, traduzido em 1784 por Charles Wilkins, é um dos muitos textos que vieram a se tornar mais populares na própria Índia depois que foram passados para o idioma britânico. Assim ocorreu com todas as demais escrituras hindus vertidas para o inglês: os Vêdas, o Yôga Sútra, etc.
No início do século XX, havia um Mestre chamado Ramana Maharishi , que vivia em Arunachala, Tiruvanamalai, a uns 200 quilômetros ao Sul de Madrás. Nunca ninguém ouvira falar dele, embora fosse um grande sábio. E teria passado pela terra em brancas nuvens, sem que jamais a história registrasse sua existência ou o valor do seu ensinamento, se um anglo-saxão, Paul Brunton, não tivesse, um dia, visitado seu ashram e escrito sobre ele.
Esse é o caso do curare, que os índios brasileiros durante milênios usavam para pescar e que na segunda metade do século XX foi descoberto pela literatura em inglês, passando a ser adotado no mundo todo como anestésico nas grandes cirurgias.
Esse também é o caso dos bacteriófagos que os soviéticos vinham utilizando há quase um século no lugar dos antibióticos, com muito mais eficiência e menos inconvenientes, mas ninguém tomava conhecimento pelo fato de a literatura não estar escrita em inglês (“se não está escrito em inglês, não é ciência.”)!
THAT WAS NOT “WRIGHT”
Existe toda uma barreira cultural praticamente intransponível às idéias que surgem fora das fronteiras dos países que fazem parte do clube. Aliás, eles também não reconhecem o fato histórico de que o primeiro a conseguir o vôo de um aeroplano mais pesado que o ar foi o brasileiro Santos Dumont, e insistem na balela de que foram os irmãos Wright, para ficar com os louros históricos (nem ao menos eles era louros!). Filmes da época provam que o aparelho deles não venceu a força da gravidade, não decolou, mas foi catapultado por uma geringonça e depois planou com o auxílio de um motor. Mesmo assim, seu “vôo histórico” realizou-se sem testemunhas, sem a imprensa, sem a presença de autoridades, ao contrário de Santos Dumont que realizou seu grande feito com testemunhas, jornalistas e autoridades. Depois que ele voou com o mais pesado que o ar, os irmãos Wright afirmaram que já haviam feito isso antes, na sua fazenda, sem testemunhas. Nunca, no mundo científico, se aceitou tamanho absurdo. De mentiras históricas a História oficial está cheia.
DeRose
http://uni-yoga.org/blogdoderose
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