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Archive for May 29th, 2009

May
29

Trecho do livro “O Tigre Branco”

Posted by placido.salles under novela

Sei tudo sobre o Ganges, Excelência. Quando tinha seis, sete ou oito anos (ninguém na minha aldeia sabe exatamente quantos anos tem), fui ao local mais sagrado das margens do rio: a cidade de Benares. Lembro de descer os degraus de uma estradinha que seguia colina abaixo, na cidade santa de Benares, acompanhando o cortejo fúnebre que levava o corpo de minha mãe até o Ganges.
Era Kusum, minha avó, quem ia na frente. Aquela velha sonsa! Tinha a mania de esfregar os braços com bastante força quando estava contente, como se fossem pedaços de gengibre que estivesse ralando para liberar os sorrisos. Não tinha mais um dente na boca, mas isso só tornava o seu sorriso ainda mais dissimulado. E foi sorrindo que conseguiu mandar na casa; filhos e noras tinham medo dela.
Meu pai e Kishan, meu irmão, vinham logo atrás, segurando uma das pontas da liteira de bambu que transportava o cadáver; depois, vinham meus tios, Munnu, Jayram, Divyram e Umesh, segurando outra ponta. O corpo de minha mãe tinha sido embrulhado num pano de cetim cor de açafrão, da cabeça aos pés, e estava coberto de pétalas de rosas e de guirlandas de jasmim. Acho que, em vida, ela nunca teve nada tão bonito para vestir. (A morte de minha mãe foi tão grandiosa que tive a certeza de que a sua vida deve ter sido muito infeliz. A minha família se sentia culpada por alguma coisa.) Minhas tias, Rabri, Shalini, Malini, Lutty, Jaydevi e Ruchi, passaram o tempo todo rodopiando e batendo palmas para que eu as alcançasse. Lembro que fiquei balançando as mãos e cantando: “O nome de Shiva é a verdade!”
Passamos por um templo atrás do outro, rezando para um deus atrás do outro, até entrarmos numa fila, entre um templo vermelho, dedicado a Hanuman, e um ginásio descoberto onde três fisiculturistas levantavam pesos enferrujados bem acima da cabeça. Antes mesmo de ver o rio, pude sentir o seu cheiro: um fedor de carne podre que me chegava pelo lado direito. Cantei então ainda mais alto: ”… a única verdade!”
Ouvia-se uma barulheira danada:estavam rachando lenha. Tinham construído uma plataforma de madeira pouco a cima do nível da água, bem na borda do ghat; as toras eram empilhadas nessa plataforma onde homens as cortavam, usando machados. Vários blocos de madeira formavam piras funerárias nos degraus do ghat, que levavam até o rio. Tivemos de esperar nossa vez.
À distância, uma ilha de areia branca reluzia ao sol, e botes cheios de gente se dirigiam para lá. Fiquei imaginando se a alma da minha mãe teria ido para aquela ilha, para aquele lugar brilhante no meio do rio.
Já disse que o corpo de minha mãe estava envolto em cetim. Agora, tinham coberto também o seu rosto, e várias achas de lenha, tantas quanto pudemos comprar, estavam sendo empilhadas sobre seu corpo. Então, o sacerdote ateou fogo à minha mãe.
– No dia em que chegou à nossa casa, ela era uma boa moça, muito sossegada – disse Kusum, pondo a mão no meu rosto. – Não fui eu que comecei com essa história de brigar…
Afastei aquela mão. Fiquei olhando para minha mãe.
Quando o fogo devorou o cetim, deu pra ver um pé pálido, que surgiu ali como algo vivo; os dedos, que iam derretendo com o calor, começaram a se encurvar, oferecendo resistência ao que estavam lhes fazendo. Kusum empurrou aquele pé de volta para o meio do fogo, mas ele não queimava. Meu coração disparou. Minha mãe não ia deixar que a destruíssem.
Debaixo da plataforma onde as toras estavam empilhadas, era um verdadeiro lamaçal escuro, no ponto em que as águas do rio tocavam as margens. Aquele monte de lama estava cheio de guirlandas de jasmim, pétalas de rosas, pedaços de cetim, ossos chamuscados; um cachorro amarelado por ali, fuçando em meio às pétalas, ao cetim e aos ossos.
Olhei para aquele lamaçal, olhei para o pé retorcido de minha mãe e entendi tudo.
Era a lama que a estava impedindo de ir embora: aquele monte enorme de lama preta. Ela tentava lutar contra tudo aquilo; seus dedos estavam encurvados e resistiam; mas a lama a estava tragando, sugando. Era tão espessa e, a cada instante, a água que banhava o ghat criava uma quantidade maior daquele lodo. Logo, logo a minha mãe seria parte daquele lameiro negro, e o cachorro armarelado ia começar a lambê-la.
E então, compreendi: aquele era o verdadeiro deusde Benares, essa lama preta do Ganges na qual tudo morria, se decompunha, e era dali que tudo renascia, para voltar a morrer. O mesmo aconteceria comigo quando eu morresse e me trouxessem para cá. Nada ali atingiria a liberação.
Perdi o fôlego.
Foi a primeira vez na vida que desmaiei.
Desde esse dia, nunca mais fui ver o Ganges: o rio para os turistas americanos!

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May
29

O Incenso

Posted by Andre Mafra under novela

Retirado do livro Tratado de Yôga, este texto fala um pouco mais sobre esse importante artefacto.

Confira!

O Incenso

O incenso não é um artefato místico e sim um recurso natural que nos auxilia a atingir certos fins, variáveis conforme os perfumes e demais elementos constituintes das ervas, resinas, etc., cujas moléculas se desprendem com a queima e evolam, permitindo imediata absorção pela membrana pituitária.

Os perfumes influenciam o emocional, a mente e até o corpo, e a resposta é imediata, tão rápida quanto uma injeção na veia. Por exemplo:

· se você sente um cheiro nauseabundo, o seu estômago embrulha na hora;

· se você sente um perfume sensual, as glândulas sexuais começam a segregar hormônios imediatamente;

· se você sente uma fragrância devocional, é logo arrebatado para estados de consciência que nenhum outro recurso conseguiria desencadear.

Incenso Kali danda

Incenso Kali danda

Assim, os antigos descobriram que os olores doces eram ótimos para se usar nos mosteiros, pois reduzem o apetite e predispõem ao jejum. Chegaram também à conclusão de que a inalação dos aromas ou dos vapores de certas ervas tinham influência positiva numa série de enfermidades. Quem ignora o efeito do eucalipto no combate às gripes? E quem contestaria o efeito das inalações feitas com ervas, como é o caso da eficaz buchinha-do-norte contra sinusites?

Tudo começou quando passaram a queimar ervas e resinas em locais fechados para manter o ambiente agradável e notaram a ocorrência de efeitos nas pessoas que inalavam suas exalações, variáveis conforme o produto usado. Daí para a frente foi só uma questão de tempo para catalogar os resultados. Desde então, passaram-se 5.000 anos… Read the rest of this entry »

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May
29

Isso que é fã!

Posted by Andre Mafra under novela

Juliana Paes no altas horas manda beijo para fã! Isso que é fã!

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