Minha experiência com os dalits na Índia por Natalia Mutto
Na Índia a questão das castas, apesar de estar passando por diversas mudanças – como bem mostra a novela – ainda permanece aparente. Nascer Brahmanê significa morrer um Brahmanê, nascer Dalit, como Bahuan, significa morrer Dalit, mesmo que se seja criado por um Brahmanê.

Eu, agachada, com minhas amigas dalits da ong
Tal imobilidade social, junto da religião, é o que faz, no meu ponto de vista, com que os indianos sejam tão miseráveis. O obstáculo social herdado faz com que as pessoas simplesmente aceitem sua condição e não se esforcem para mudar suas vidas e suas perspectivas. E assim vive-se em, inclusive com muita alegria, para a maioria.
Há, no entanto, aqueles que lutam pela mudança, assim como o pai de criação de Bahuan na novela, e o próprio Bahuan. O acesso a informação e as oportunidades de estudo permitem que os jovens Dalit lutem pelos seus direitos, e os conquiste.
Em minha viagem à Índia tive a oportunidade de conhecer uma dessas pessoas, um Dalit que lutou e tornou-se uma pessoa digna, com sucesso reconhecido socialmente. Senhor Henry Thiagaraj, diretor de algumas Organizações Não-governamentais, escritor de diversos livros, hoje luta politicamente para garantir que os Dalit passem a ser incluídos socialmente, deixando para trás a idéia de que são intocáveis, de que não pertencem a classe alguma, de que não tem direitos.
Fundou uma organização, Delta Community College, para garantir oportunidade de crescimento para os diversos Dalit do estado de Tamil Nadu, ao sul da Índia. Sua organização representa a esperança de inclusão no mercado de trabalho de diversas meninas, entre 17 e 20 anos, as quais, por um valor simbólico, passam a viver em comunidade para estudar enfermagem e posteriormente ter uma profissão. As meninas alojam-se na própria ‘universidade’, um belo espaço verde pouco afastado da cidade, onde tem seus quartos, salas de aula, laboratórios, e contam com profissionais dedicados que acreditam nesta luta.
Em visita à ONG, eu e minha colega holandesa fomos recepcionadas com apresentações de danças, coral e presentes, forma de agradecimento das meninas à nossa visita. Para elas, a presença de ‘firlandas’ estrangeiras em sua comunidade, abraçando-as, querendo conhece-las, é inédita, seus olhos brilhavam e elas encheram-se de alegria com nossa visita. Eu e minha colega, é claro, ficamos lisonjeadas com a homenagem, e a visita foi inesquecível para nós, ocidentais, que não acreditavam que essa diferença tão grande castas realmente existia.
Faço parte do time que defende essa luta tão bonita pela igualdade entre as castas, ou extinção de tamanha diferenciação humana. Não creio que disparidades sociais façam parte da tradição de que devem se orgulhar quaisquer povos. Direitos humanos em primeiro lugar”
veja as fotos…










Que lindo esse post! Ainda bem que existem pessoas que enxergam entre os véus e lutam pelo que acreditam!!
Parabéns e um beijo no coração! =D
Cada dia mais eu AMO meu Brasil com todos os problemas existentes nele!!
Apesar dos pesares, aqui se trabalharmos ganhamos, e se ganhar muito será seu, se ficar rico, sua descendência herda sua riqueza e posição não serão amaldiçoados pelos restos das suas vidas por seus antepassados terem nascidos pobres!
Porque aqui a maioria são ricos espiritualmente, temos independência de escolhas, principalmente religiosa.
Sol Barbosa
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